Quem sou eu

Minha foto

Cantora, compositora, escritora, psicóloga, amante da arte, da vida... Peregrina, estrangeira, mortal entre audaciosos mortais...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Meu melhor amor...

De tudo, que eu poderia ter ganhado de bom nessa vida, ganhei você!
De todo o amor que pudesse ter nesse mundo, ganhei o seu!
Do olhar mais bonito que pudesse ter voltado pra mim, ganhei o seu...
E não importa, quantas vezes eu venha aqui para dizer algo, desde que você chegou na minha vida, nunca terei palavras suficientes para descrever o meu amor por você.
É tanto carinho... Tanto cheirinho, abraço, beijo...
"Mamãe, passa um batom em mim igual o seu?"
Você é a minha melhor parte! O meu presente feito pelas mãos de Deus e que me foi entregue pelos braços ternos de Maria, nossa mãezinha!
Filha, eu te amo, de um jeito, que não cabe no peito... Transborda nos meus olhos, nos meus poros, na minha essência...
a
Foi você, que ao vir a este mundo, me fez querer ser melhor. Me ensinou a ser forte por você. Me fez dobrar os joelhos para ficar de pé.
É o seu sono tranquilo que me acalma...
É a sua confiança que me faz ser forte...
É a sua inteligência que me faz sentir tanto orgulho...
Minha princesa... Minha pérola...
Eu te amo...
"Mamãe, posso sentar um pouquinho no seu colo?"
Pode, filha!! É seu... E o seu descanso em mim é que me descansa!
"Mamãe, senta pertinho de mim?"
Claro, filha!! Eu estou e estarei sempre ao seu lado!!
"Mamãe, passa remédio?"
Sim! E muitos beijinhos, que pra você sarar bem rapidinho!
Mãe é besta! Mas mãe é mãe!
E não importa o que aconteça... Não importa quem vai, quem fica...
Não importa o que digam... Não há nada que nos roube esse amor...
É como se no momento que somos fecundadas, no nosso coração fecunda-se um amor, que só cresce! Não tem espaço e nem jeito pra fim!
Te amo, meu amor!
Meu melhor amor!
Vida minha!
Meu cheirinho, chicletinho, princesa!
Que Nossa Senhora sempre a proteja!
Amo você!!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Gostos, texturas, laços, anestesia

Estou sentada no lugar mais alto que poderia estar nesse momento...
Não, isso não é uma coisa grandiosa...
Não se trata de um lugar no pódio...
Estou no lugar mais alto que poderia estar a olhar para baixo e à ver tudo que já fui, tudo que já foi, tudo que ainda poderei ser...
Sabe...
Já andei tanto...
Todo esse chão de superfície tão irregular e tão cheia de surpresas...
Senti campos macios e o seu perfume...
Pisei pedregulhos e fui tomada pelo seu odor de enxofre...
Afinal, o que espera?
Vai ficar tudo bem, não vai?
Isso vai passar e vai parar, não é?
Sim. Eu sei que vai!
Me perguntaram, como consigo... Depois de tanto, como ainda posso?
A resposta passou várias vezes por mim...
Carregando seu madeiro... Olhou nos meus olhos... Eu não chorei em vão.
A mulher que vivi naquele dia... Tocou-me como nunca e de repente entendi...
Então, eu precisava vir aqui dizer.
Não chorei em vão!
Eu a vi e senti sua impotência, sua obediência... A espada cega que cruzava e rasgava sua alma.
Eu a senti doer dentro de mim... Uma dor só, aguda, ferroada...
Um misto de medo e confiança...
O fruto do ventre dela, de repente se misturava ao meu...
E no altar do calvário, enquanto seu filho era sacrificado, a terra do seu coração era devastada.
Sente o gosto?
Sente a textura das minhas palavras?
A aridez e a doçura misturadas, quase não podendo mais se separarem?
E depois de tanto, ainda posso ouvir o silêncio...
Posso sentir o cheiro e a densidade do lugar vago...
Às vezes, vejo eles, como era antes... As rodas de conversa, as músicas, as brincadeiras... E logo após um silêncio enorme, como se de repente, eu fosse apenas um membro amputado...
A questão é que não dói mais...
Por agora vou vendo todas as coisas e tendo todas as lembranças que vem e vão e elas estão cada vez mais cinza, foscas... Mas o cheiro, dos risos, das amizades, das aventuras... Isso ainda permanece...
Eu lembro de tudo... E sinto tudo... Mas não cobro mais, porque sempre gostei que as coisas fossem espontâneas... Um lado meu, não entende porque está tudo tão cinza, o outro nem sabe mais se acha graça nas cores...
Mas que bom que ainda tenho essa intimidade sobrenatural...
Bastam algumas contas e sinto-me próxima de um paraíso, por mim, talvez nunca habitado... E aí, tenho saudades do céu... E uma saudade que me doma, laça e me segrega cada vez mais...
E sim.
Volto a estar anestesiada...
Se sorrirem, sorrio! E quase acredito no riso que dou... Mas é semblante... É passagem...
E já não sei se dói mais crer no riso ou simplesmente extirpá-lo de uma vez por todas!
Os dias estão densos...
Minha história tem ido e vindo, tirado o meu sono, perturbando meus passos...
A pessoa boa que eu gostaria de ser, às vezes parece que nunca existiu.
E a partida de todos, só parece confirmar isso!
Aí olho pra você... Um tantinho de gente, que me segura pela trança dos seus lindos cabelos...
A parte de mim viva, por quem luto, me alegro, me nomeio!
Você que tem me salvado todos os dias e posso dizer com firmeza, que é presente do céu!
Linda! Amo!
E volto a pensar no que poderia ter sido se... se... se...
Eu não tive domínio!
Deceparam minhas escolhas! E carrego comigo a sentença de uma estrutura fraterna tão sonhada e que não poderei dar-te por inteiro... Mas calma! A minha metade, minha parte, está aqui para você! E faz-se inteira para você, mesmo que isso custe, não ser mais inteira para mim!
Dias... dias... dias!
Que eu aprenda a ter gratidão!
Que eu não tenho medo desse gesto!
Que eu me liberte do que foi!
Que eu siga!
E enquanto isso...
...
Bem. Estou sentada no lugar mais alto que poderia estar nesse momento...
Não, isso não é uma coisa grandiosa...
Não se trata de um lugar no pódio...
Estou no lugar mais alto que poderia estar a olhar para baixo e à ver tudo que já fui, tudo que já foi, tudo que ainda poderei ser...
Sabe...
Já andei tanto...
Todo esse chão de superfície tão irregular e tão cheia de surpresas...
Senti campos macios e o seu perfume...
Pisei pedregulhos e fui tomada pelo seu odor de enxofre...
Afinal, o que espera?
Vai ficar tudo bem, não vai?

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sobre o amor e a água

Uma vez, ouvi dizer que os indianos têm o casamento como a água que ainda vai ser levada ao fogo. Quando se conhecem, revelam que o amor é para eles como aquela água preparada dentro de uma vasilha que ainda será levada ao fogo, portanto, frio...
A medida que a vasilha passa pela chama e se aquece, a água contida nela, também vai esquentando, e segue assim, até ferver...
Para os indianos, com o amor não seria diferente...
O amor pelo outro, começa frio, e ganha calor até ferver à medida que se vai conhecendo o parceiro com quem você pretende viver.
O amor, nessa visão, é uma construção, uma permissão...
Me permito conhecer e me deixar conhecer até que cheguemos no ponto de entender o quanto precisamos dessa "parceria" que vai acontecendo ao longo do convívio.
Bem...
Quem sou eu para falar de amor, né?
Quem sou eu...
Mas, arrisco...
Nós, ocidentais, seguindo a lógica indiana, damos início as nossas relações, quase sempre, já a ponto de ebulir. Com o tempo, nos esquecemos do que mantinha o amor nesse ponto e o tiramos da chama, com atitudes, gestos e palavras que podem levar a relação a graus negativos, congelando inclusive o coração dos amantes, antes tão apaixonados.
Frios, muitas vezes, nos esquecemos, o que é o amor e como é bom ser amado.
A confusão é tanta...
O medo é tão intenso, que você começa a crer que é melhor estar como está...
É melhor, não se dar o "trabalho".
O que eu penso hoje?
O amor é um exercício contínuo de todas as expressões esquecidas de algum lugar perdido na infância, aonde podíamos ser, zelar e ceder, sem esperar nada mais em troca.
O amor é a simplicidade, a humildade, as pequenas coisas que vão florescendo e que a maioria se quer, percebe, como aquelas boas conversas, que a gente por descaso, acaba jogando fora...
O amor é uma troca justa, mesmo quando de um lado só há lágrimas e do outro um sorriso que tem raiz dentro do peito.
O amor é um passo, em direção ao desconhecido ao lado de alguém disposto, que caminha descalço os mesmos passos que você.
O amor é a água limpa e cristalina que eu carrego no peito, mesmo não a sentido quente, porém certa, de que em alguma hora, uma chama acenda e aos poucos, quem sabe, comece a se aquecer.
O amor é um sono leve e seguro, encostado no peito de alguém, mesmo quando não está perto, mas se pode imaginar.
O amor é uma conexão, que você não faz ideia de como, quando ou porque começou, mas não se importa, porque tem algo mais que te prende ali.
O amor... Sabe aqueles dias de chuva e de sol? Sim!
E também instantes de coisas que pensamos que não tem nada a ver.
Eu sei que não parece muito, eu sei que olhando de coração fechado, tudo isso é besteira.
Mas, para ver o amor, as vezes, se tem que fechar os olhos, abrir bem o peito e correr o risco de riscar estradas inteiras, nem que seja a base de giz de cera.
O amor não custa.
É pequeno e grande...
Não segue moldes, cabe e se adéqua, se adapta, rege e governa...
Sua ausência escurece...
Por essas e outras, mesmo ainda não tendo chegado a hora de começar a ferver, eu guardo a minha fonte, minha água...
É que, deserto como têm sido os dias e as pessoas na atualidade, é sempre bom ter o peito encharcado e vez ou outra...
Simplesmente...
Deixar-me...
Correr...


domingo, 5 de março de 2017

Dia da Anna...

Mãe... Eu fiz um laço... E é rico!
Tenta tantas preciosidades!
Anna, eu não poderia deixar de vir aqui para agradecer pelo dom da sua vida.
Agradecer pelo dia que Deus permitiu a você, vir nesse mundo, para ser outro pedaço meu que se espalhou por aí.
Sim, Anna!
Nossas semelhanças, são tantas, que às vezes me vejo como sendo apenas mais um retalho de uma grande obra, que volta e meia encontra as outras partes e se costura nelas, para dar conta dessa missão, de estar aqui e não pertencer a essas terras...
Eu, me vejo estrangeira! E ser assim, com uma estrangeira de coração gigantesco como o seu, firma meus passos, rumo ao céu!
Sua amizade é fácil... Tem gosto de céu... Tem o calor do sopro dos anjos!
Quando vim pra cá, perdi tanto... Difícil aprender a andar, depois de tantas quedas... As vértebras não correspondem como gostaria. Mas Deus na sua infinita bondade me presenteia com uma irmã!
Como isso é maravilhoso!
Quantas vezes nos vimos?
Quantas??
E é engraçado, que toda vez que estamos partilhando, me vejo em Cachoeira, sentada na varanda daquela casa que ficava no alto, olhando pra gruta e vendo por trás dela, os trilhos e um pouco dos montes...
Faz tanto tempo isso...
Mas é uma lembrança tão próxima, que tem até cheiro... Cheiro da umidade daquele lugar... E as marcas de terra num all star velho...
Anna, obrigada!
Obrigada por essa amizade!
Hoje, no seu dia, agradeço à Deus, por ter me dado uma Anna!
Essa que eu posso olhar e me ver, porque eu sei que dói, ri, ama, solidariza, partilha, como eu...
Que coisa mais linda!!
Obrigada Anna!
Feliz aniversário!!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Eu te amo!

Como se continua, depois que a verdade é descoberta?
Como você olha pra frente, depois que enxerga por debaixo do véu e finalmente vê que não era tão belo, como você pensava?
Como é que se dá o primeiro passo, depois da queda?
Não me sentava aqui há tanto tempo... 
Pensei que já tivesse sacramentado a parte dessa escrita, mas parece que ela nunca morre...
Como é que se confia, depois que você vê que o outro lado não é tão seguro, como você pensou?
Como, eu poderia colocá-la lá e não sentir que uma parte de mim está indo embora, talvez pra sempre?
O talvez dói... 
Dói, como uma lança passada no fogo, cortando seus membros, atravessando pelo meio e vazando do outro lado do peito.
O talvez, o que não posso contornar ainda, a sensação do que pode ser são aterrorizantes... Porque até ser, não se pode fazer... E sinto-me como se estivesse amarrada...
Com se meu algoz estivesse ali, dizendo o que vai fazer, passo à passo de como pretende me ferir, me deixando apenas na expectativa.
E como já me bate um cansaço, que às vezes não sei se sou capaz de suportar, fecho os olhos e apenas espero que aconteça logo, pra que de alguma forma eu consiga reagir...
Por outro lado, pensar em você indo pra lá, me atormenta tanto, que me tira o ar... Penso em quando você chorar e me quiser por perto... Penso, na hora de dormir, quando sou eu que espanto o lobo da sua cama pra que você possa dormir melhor... Penso, em como vai doer, quando eu não ouvir, você dizer que estou fantástica...
Você é meu bem maior!
A melhor lição sobre ser melhor que Deus poderia ter me dado!
A melhor maneira de aprender a ser forte, que eu poderia ter!
Deus te proteja, como tem me protegido!
Deus te guie, como tem me guiado!
Deus seja tua sombra, como tem sido a minha!
Deus te guarde, como tem me guardado!
Eu te amo!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Cacto...

Se eu não disser algo, vou morrer entalada...
Não importa o quanto você ache ruim... Não importa se você não entende...
Eu só preciso acomodar as coisas dentro de mim e isso as vezes pode doer mais do que você possa imaginar...
Não é tão simples e nem eu tenho bem as respostas certas pra esse tipo de coisa... E acho que se tivesse, isso aqui seria desnecessário...
Vontade de colocar a mochila nas costas e sumir! Mas ao mesmo tempo, vontade de simplesmente ficar por aqui mesmo e mais uma vez peitar todas as incoerências que vão surgindo por aí...
Sabia que é horrível pra mim também, não conseguir conter essas mágoas dentro de mim?
Sabia que é horrível ter deixado que elas espirrassem em você?
Estou olhando pela janela agora... Tenho que fazer escolhas e não posso dizer que será a menos dolorosa...
Se é dramático? Sim, eu sei que é!
Você simplesmente acha que não vi! Que não percebi! Que não sentia... Mas eu vi, percebi, senti...
Mas é claro, vamos continuar sorrindo... Nada que uma boa moldura não disfarce o conteúdo em necrose... Dorian, Dorian... Esse belo sorriso é o mesmo que resplandece na tua obra eterna?
Por outro lado, eu também me responsabilizo, porque mesmo quando percebi, pensei que seria forte o suficiente para não sentir e para ser despojada na medida certa! Que babaquice... Não consegui!
Não posso deixar de ser quem sou... E todas as formas que tentei para sair de mim e me adequar as realidades desse universo, só fizeram aumentar esse buraco negro no peito, que só consome tudo que vai se aproximando...
Não sou uma pedra... Mas também nunca fui uma rosa...
Acho que sou meio que como uma flor do deserto... Sobrevivo a sequidão, aos intempéries da natureza e das ações humanas... Resisto a quase tudo... Mas ando descobrindo que não sou o tipo de flor, que se colhe...
Tanto tempo na sequidão de alguma forma você aprende a ser como ela... E isso não é algo pensado!
É até algo que precise de ser mudado...Mas como?
Todas as minhas mudanças até então, só fizeram o que já disse: o buraco negro!
Ainda assim é necessário...
Estou tentando...
Só tenha paciência... E senão puder corra mesmo...
Não quero e não posso prender ninguém a essa montanha russa!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O mar, uma roda gigante, velas e tempestades... De novo Orfeu (Sessão desabafos)

A melhor parte de mim, nem sempre é aquela que me enaltece...
Mas aquela que às vezes, mostra meus furos, minhas faltas e fraquezas...
Querida Anna, sabemos bem que as madrugadas, as lágrimas, aquele sufoco no peito, fazem questão de nos mostrar isso com clareza...
E é nesse aperto, que vão se escoando pelos nossos poros, todas as incertezas, todos os motivos, os tropeços que inicialmente nos levam às madrugadas, lágrimas... sufoco no peito.
É como uma febre... A mesma sensação, eu diria...
Ficamos meio indispostos, a pele arde e desejamos que isso passe logo... Mas o que acontece é que a febre é o sinal, a reação do organismo em defesa de si mesmo... A tentativa de expulsar o que incomoda...
Anna, o que te incomoda?
O que dói?
É de nascença isso... Eu sei... De novo, Orfeu!
Então é isso?
Sempre escolher, sem ser escolhida... E quando escolhida for, ficar a espreita...
"Me tire daqui!" "Faça algo" "Diga" "Silêncio"
O medo tremendo de que o coração possa saltar e falar além do que nosso semblante nos permite sustentar...
Nessa terra de tantas loucuras, parece que amar é como estar em alto mar à deriva...
Mas calma lá... Eu sei que dói... E estar no mar agitado, com esse barquinho a vela que nos foi dado é de dar medo, mas sabe Anna, refleti muito ontem, depois do que conversamos e uma coisa ficou ecoando na minha mente e no meu coração. Acho que você mesma deu-nos a resposta...
"Já passei por isso."
Anna, percebe?
Já passou por isso... Passou e aqui estamos...
Não vim trazer a resposta e nem dar uma de guru espiritual... Mas me veio um alívio enorme por pensar que PASSOU... E sim! Seguimos... Aqui estamos...
Tudo bem... Repetimos o ciclo... Mas se passamos um, porque não passaremos esse?
Assim são as tempestades...
Faz uns dois dias, tem chovido aqui na minha cidade, depois de uns dias de calor insuportável... No primeiro dia, a chuva caiu com tanta força...
Bom, te contar uma coisa, desde criança (tinha colocado "pequena", mas bem... Bom... Entendeu?) penso que a chuva é o choro de Deus... Engraçado, eu sei... Mas não consigo, não ter esse pensamento... É algo meu e talvez seja uma forma de saber que Ele sente todas essas coisas, como nós, também lamenta e espera algo mais dessa humanidade por vezes tão desumana, que Ele escolheu e nem sempre O escolhe... Percebe?
Enfim, o fato é que choveu...
E, em uma noite, a chuva foi forte!
Muitos raios, ventos... A energia acabou...
Minha filha ficou com muito medo, correu e me abraçou. "Mamãe, estou com medo. A chuva vem me pegar." Ainda estava cedo para dormir e não havia muito o que fazer... Ficamos brincando no quarto, à luz de velas... Logo ela dormiu... A chuva passou...
Acordei de madrugada, a energia havia voltado... Olhei pra ela na cama e pensei: "Ela nem viu que o medo foi embora." Bom né?
Pois, não é que a história se repetiu outro dia... E ela novamente correu pra mim e disse: "Mamãe, a chuva não vem me pegar. Ela tá só lá fora. Né?" E passamos mais essa tempestade.
A experiência é algo extremamente interessante... Nunca passamos pela tempestade da mesma forma que passamos pela anterior... Há sempre algo em nós, que nos diz que, por mais parecida que seja essa tempestade, algo em mim mudou a ponto de saber, que vou passar por ela.
Anna, foi o que você me disse ontem... Foi o que refleti... E embora saiba que o seu coração está muito cansado dessas repetições e que uma hora ou outra teremos que sair delas, o que posso dizer é que você está mais forte... Essa nova tempestade, não veio para te pegar, derrubar ou maltratar... Está apenas lá fora... E enquanto estiver, não abra as janelas e portas... Deixe-a lá e mantenha seu lar, seco, límpido...
Outra coisa... Foi na penumbra, na sombra, à luz da vela que me permiti ver com mais cuidado e assim, descobri muito mais nítido que minha filha conseguiria enfrentar seu medo e passar  por ela tão leve... tão bem...
É por isso, que as vezes gosto muito desse silêncio, das coisas pequenas e simples, sabe?
Elas mostram... Elas sussurram... E insistem com a gente... Existe uma doçura nisso e acho que ainda temos que andar alguns caminhos, sobreviver algumas tempestades desse "Escolher, sem ser escolhida", para descobrir porque temos que estar nisso... Nesse ciclo... (suspiro) Anna, eu sei que é aí que dói... E acho que agora temos duas coisas sobre isso... Sabemos que vamos passar! Ok! Mas a mais importante: Todo ciclo tem um início... Um primeiro ato, que nos fez entrar nessa roda gigante da qual não conseguimos descer... Você se recorda? Qual a primeira lembrança de uma escolha que você fez e não foi escolhida?
Se puder, mergulhe nas águas mais profundas de você... Sinto que há algo lá para nos contar... E talvez assim, possamos finalmente descer...