Recomeços...

Que vida é essa?
Ainda estou aprendendo... Poucos dias atrás em uma conversa, me perguntaram se eu já trabalhava no fim e eu respondi: "Não... Eu não trabalho com fins, apenas com recomeços..."
Mas o que é recomeçar, diante de tantas derrubadas? Como me levantar nesse chão que por vezes é tão escorregadio e traiçoeiro?
Eu já caí tanto...
Cada tombo feio e imbecil...
Sabe quando você pisa num terreno pensando que a massa já estava seca e de repente afunda os pés no cimento mole, se suja e tem dificuldades pra sair?
Bom... É bem isso...
Quando você é criança e isso acontece... Você corre para a primeira pessoa do mundo onde todas as coisas se ajeitam, uma "MÃE".
No primeiro momento, vinha aquela bronca básica pela sujeira feita, as roupas...
No segundo momento: "Tire esses sapatos, as roupas, corre para o banheiro, que vou te dar um banho...
Banho... Toalha... Ser carregada até o quarto para ser secada e para vestir roupas limpas, já organizadas por ela mesma.
Roupa trocada... Cabelos penteados... Pés limpos... Quase sempre a sequência era um bom lanche e depois na sequência, aquele: "Agora durma um pouco, pra você descansar."
Isso me fez pensar... Me fez refletir, que o recomeço tem essa cara de mãe... E talvez seja uma mãe... Que nos limpa, nos afaga, nos alimenta, para dar o próximo passo. E mesmo que, lá na frente, venhamos a enfiar o pé na lama novamente, está ali... Pode até dar aquela bronca suave... Afinal de contas, ela havia nos deixado tão alvos, tão bonitos, límpidos e preparados para a próxima caminhada... E ver seu trabalho ter que ser refeito... Mesmo que para ela, repetir esse trabalho seja tão bom também... Pois é cuidar e cuidar é amor (Eu, pelo menos, adoro arrumar minha pequenininha...).
Foi assim então, que descobri... O recomeço, tem sabor de maternidade... E é nato à todos nós...
Algumas vezes, a minha escrita trava e por amor e cuidado, muitos dias depois, eu volto para gerar e cuidar desse meu filho, "Dom", que me foi dado de presente... Ai recomeço... Escrevo, reescrevo, me inscrevo... Publico! E eu sei que essa parte, de mim gerada, vai andar por aí, nas telas, olhos, bocas de outras pessoas, que talvez eu não conheça, mas que vão vendo um pouco mais de mim...
Quando eu comecei esse blog, pensava que seria um lugar único e exclusivo pra mim... Não que eu imaginava que apenas eu iria ler, afinal de contas o ambiente virtual vai longe... Mas pensava que era um lugar onde apenas eu habitaria na minha escrita... Como, eu estava errada...
Tanta gente já esteve presente na minha escrita... Tanta gente chegou e foi ou chegou e ficou ou vem ainda, vem as vezes, entra se senta nessa cadeira aí, toma um café, proseia e depois parte, levando de mim e deixando de si.
Isso é tão verdadeiro, que hoje tudo é mistura... E essas misturam é que me incitam aos recomeços...
Quem sou eu, no meio disso tudo?
Um sopro pequenino... O mínimo de um grão de areia, que só aparece no meio de muitos... Sozinha?Nada... Eu preciso dos muitos... São os muitos que vem e vão, que me compõem e compõem minha história, dando sentido a cada amanhecer da minha vida.
Por eles a gratidão... Os que ficam e os que vão...
Esses diferentes recomeços que vão se entrelaçando... Tantas cores... Todas as mães... Todos os laços... Amigos... Que coisa não?
Me peguei lembrando, de quando uns anos atrás, queríamos todos morar na mesma casa, para varrermos a noite, cantando...
Eu me lembro! Eu sinto... Eu sei... Sim, eu sei...
Já se vai o tempo... Mas ainda é familiar, essa sensação de recomeço...
Essa coisa santificadora... Proverbial! Que me faz esquecer de mim e lembrar como é bom estar no meio e não ser único... Doce, proposta santificadora... Essa de ser/estar no meio e não ser único!
Eu amo o que tenho, o que tive... Eu amo vocês... Meus recomeços... Meus laços fraternos... Amigos... 
E se me cabe dizer ainda algo mais... Me curvo a um leve "obrigada".
A caminhada com vocês é mais sutil, mais certa, mais bela... E vejam só!
O céu não está bem ali?

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